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BRASIL: Voluntário morre durante os testes à vacina COVID-19

[dropcap]U[/dropcap]m brasileiro que morreu na segunda-feira durante os ensaios à vacina contra a COVID-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford. Chama-se João Pedro Feitosa, um jovem médico, de 28 anos, que se licenciou em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no ano passado, e desde março que estava a trabalhar na linha da frente ao combate à COVID-19.

Segundo o que a G1 apurou, o jovem tomou um placebo, uma substância sem reações medicamentosas adversas, que costuma ser usada em ensaios clínicos e que tem como objetivo o alívio de sintomas, e não o imunizante contra a COVID-19. Ou seja, pertencia ao grupo de voluntários que tomou placebo e não a vacina. O propósito desta distinção é perceber as diferentes reações entre quem toma e não toma o imunizante.

No entanto, apesar do óbito, o comité independente que acompanha o caso, decidiu que o estudo deveria prosseguir. Na mesma linha, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão regulador e de controlo sanitário do Brasil, tutelado pelo Ministério da Saúde, esclareceu, em comunicado, que recebeu dados referentes à investigação que davam “luz verde” para a continuidade dos ensaios clínicos.

Em relação ao falecimento do voluntário dos testes da vacina de Oxford, a Anvisa foi formalmente informada desse facto em 19 de outubro de 2020. Foram compartilhados com a Agência os dados referentes à investigação realizada pelo Comitê Internacional de Avaliação de Segurança. É importante ressaltar que, com base nos compromissos de confidencialidade ética previstos no protocolo, as agências reguladoras envolvidas recebem dados parciais referentes à investigação realizada por esse comitê, que sugeriu pelo prosseguimento do estudo. Assim, o processo permanece em avaliação”.

Tanto a AstraZeneca como a Universidade de Oxford não divulgaram qualquer detalhe sobre a morte de João, alegando não o poder fazer devido às cláusulas de sigilo a que estão sujeitas, mas a investigação prossegue. A Anvisa utilizou o mesmo argumento.

Portanto, a Anvisa reitera que, segundo regulamentos nacionais e internacionais de Boas Práticas Clínicas, os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes”.

A Anvisa está comprometida a cumprir esses regulamentos, de forma a assegurar a privacidade dos voluntários e também a confiabilidade do país para a execução de estudos de tamanha relevância”, acrescenta.

O G1 sabe, no entanto, que João morreu devido a complicações com a doença.

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